[Review] Kingdom – Refugiados das cidades pequenas

É greve geral e os manifestantes marcham, cada vez mais numerosos, pela região central de Zhao! Gyou vai cair? Kantan vai cair? Zhao vai cair? Vão fazer uma reforma no sistema de distribuição de alimentos? Haverá comida suficiente para todos? Oh, meu santo Ei Sei, vamos analisar esta conjuntura!

Comecemos com as reações de Qin. Qin foi o único Estado que não apareceu no capítulo 513 e eu nem me liguei. Mas agora vimos. Foi divertido e surpreendente ao mesmo tempo ver como nem o Shouheikun faz ideia de qual é o plano do Ousen. Isso só mostra como o plano do Ousen é fora de série e confirma sua vantagem. De todas as pessoas, eu acho que o Shouheikun era o que tinha mais chances de pelo menos ter alguma ideia do que o Ousen pretende, já que ele analisou todas as possibilidades pra elaborar o plano de ataque a Gyou. Mas, como nem ele imagina o que se passa na cabeça de homão da porra, quer dizer que dificilmente alguém vai conseguir antecipar qualquer movimento dele, a menos que seja na sorte.

Não pergunta pra mim.

No meio da pequena confusão que rapidamente se instalou na corte de Qin, eu, pela primeira vez, concordei com um chilique do Shoubunkun. Ele foi sensato e se mostrou puto pela insensatez do Ousen. Tá certíssimo, tio Shoubu! Mas, sempre tem um “mas”, é claro que ele não está enxergando tudo. Shouheikun e Kaioku ficaram mais tranquilos porque eles já estavam preparados para uma mudança súbita de planos. O Shoubunkun não, mesmo sabendo que isso poderia acontecer, e o que ele não está considerando é que somente o Ousen sabe de tudo que está acontecendo nessa campanha. Nem o Riboku, que conhece “a verdadeira identidade de Gyou” sabe o que o Ousen viu. Então, o mais sensato seria não considerar insensatez a atitude do Ousen, mas a reação do Shoubunkun foi totalmente compreensível e cabível desta vez, então essa passa, tio.

Dá neles, tio Shoubu!

Se bem que há um detalhe importante que eu quase deixei passar. A questão principal aí, o que está gerando mais incômodo e dúvidas é precisamente o abandono de Retsubi. Neste caso, nem nós leitores que já conhecemos boa parte da estratégia do Ousen sabemos como ele vai se virar a longo prazo. Ele está roubando comida de cidades pequenas. Isso amplia seu estoque, mas por um tempo bastante limitado. Eles ainda estão no coração de Zhao e Zhao tem meios de se sustentar e, principalmente, impedir que o exército de Qin receba um grão sequer. Então a maior questão ainda permanece aberta: como o Ousen vai conseguir sair dessa?

Essa “solução”, tomar Gyou antes dos suprimentos acabarem é algo que eu simplesmente não consigo entender. Gyou por acaso é feita de comida!? Ou tudo bem os 200.000 morrerem desde que tomem a cidade antes?

Ainda que ele tenha encontrado um jeito de superar as defesas de Gyou e tomar a cidade, isso ainda não soluciona o problema maior que é o abastecimento do exército. Retsubi era fundamental porque garantia a continuidade da linha de abastecimento (ainda não consegui entender como passariam de boa pelas outras cidades de Zhao, mas beleza). Sem isso, tomar Gyou vai ser como tomar estas cidades pequenas. Aumenta-se a quantidade de recursos por um tempo, mas só isso. Zhao pode apenas se fortificar e esperar. Eles têm todo o tempo do mundo ao lado deles.

Estamos de olho junto com o senhor

É aqui que chegamos à formação do Movimento dos Gafanhotos Sem Teto. Seu criador e líder? O homão da porra, Ousen. Ele está guiando a corrente. Para o leste, isso sabemos, mas com qual propósito? Inicialmente pensei que ele vai direcionar essa gente toda para Gyou e depois para Kantan, bloqueando a passagem do exército do Riboku. Mas o Ousen disse que Gyou não pode ser tomada por um ataque. Ele não disse isso por causa dos reforços que eles receberiam, pois Qin tinha uma boa vantagem de tempo. É por causa das defesas estupidamente fortes da cidade e sua própria guarnição. Então a multidão esfomeada vai ter outra serventia.

Um coelho tem que sair dessa cartola

O efeito da fome e a migração para Gyou pode forçar a abertura dos portões e criar uma chance da cidade ser tomada sem batalha, ou com uma batalha muito mais suave. O problema aqui é que um exército de 200.000 é fácil demais de ser visto. Será que o Ousen faria seus homens abandonarem suas armaduras para se misturarem com os gafanhotos, entrarem na cidade e tomarem ela de dentro para fora? Uma versão chinesa em larga escala do cavalo de Tróia? Pelo menos alguns espiões ele poderia colocar para abrirem os portões e sabotarem o que fosse possível, exatamente como Crasso fez contra Espártaco na série da STARZ. MAS, seja ou não isso, volto a dizer: tomar Gyou de nada adianta agora. Isso só seria útil se pudessem manter Retsubi, mas Retsubi não pode ser defendida.

Este review é um oferecimento NETFLIX e STARZ Productions. Assista a melhor série de todas, Spartacus, na NETFLIX!

Os gafanhotos precisam realizar alguma mágica para o Ousen. Falaram bastante em revoltas, roubos de comida, enfim, em caos generalizado nas cidades que receberem os refugiados. A pergunta que não consigo responder é justamente que benefício definitivo isso trará a Qin. O problema de Qin é bem simples de se entender: co-mi-da. Ou eles encontram um jeito de alimentar 200.000 soldados pelo tempo que for necessário, ou qualquer sucesso que tenham agora será em vão, pois se desmanchará em pouco tempo. Talvez se conseguirem tomar Kantan antes da comida acabar, eles resolvam este problema, mas isto não é um jogo. A tomada da capital real e a morte do rei não são, necessariamente, o suficiente para que ninguém mais lute contra os invasores. Não acho que vai ser algo como: “ah, tomaram a capital e mataram o rei, então acabou, agora a gente obedece o rei de Qin”. Portanto, o exército conjunto precisa de uma puta solução para que possam se manter por um longo período, mesmo depois de tomarem Kantan.

O Shin já uma cidade! hehe

Uma coisa me parece certa: o Ousen está fazendo com que Zhao sofra do mesmo mal que eles logo sofrerão. Mesmo que Zhao tenha condições de enviar suprimentos para a região central, são muitas bocas extras de uma hora para a outra. Oito cidades já foram esvaziadas. Isso não significa apenas pessoas com fome. É também um decréscimo na produção de tudo que se produz na região. Essa situação vai sobrecarregar todas as outras regiões, pois precisarão se mobilizar para suprir a região central. Deste modo, o problema da fome pode se generalizar para todo o Estado de Zhao. Se isso acontecer (agora parece frase de descrição de efeito de cartas do Yu-Gi-Oh!), o Ousen terá conseguido fazer com que Zhao não tenha mais todo o tempo do mundo. Aí eles se igualam e a coisa fica séria pra valer.

Veremos cada vez mais esse moço fazendo careta

Note que até agora só falei em comida e fome (e aliás meu estômago já tá pedindo…), mas uma quantidade imensa como essa de refugiados gera uma renca de problemas. Achei interessante também como isso casa com os acontecimentos atuais. Até fiquei me perguntando se o Hara não tirou alguma inspiração do que vem acontecendo na Síria. E enquanto podemos nos empolgar com o mangá e o plano do Ousen, a situação dos refugiados da guerra na Síria é muito séria e preocupante. Acho que todo mundo sabe pelo menos um pouquinho sobre isso (eu me incluo entre os que sabem pouco) e creio que isso já basta para entender a gama de problemas que um contingente cada vez maior de refugiados gera.

O review trata só do plano dos gafanhotos, mas há partes do capítulo que não poderiam ficar de fora de jeito nenhum. Eu tenho que deixar registrado aqui que as tribos da montanha continuam sem decepcionar!

Em Kingdom há uma diferença muito importante: pelo menos por enquanto, é o Ousen quem está direcionando o curso dos refugiados. No caso da Síria, países do mundo todo estão recebendo os refugiados (sei que nem todos) e isso já alivia bastante a pressão nos países europeus que são os mais procurados (e mais próximos). Os refugiados de Zhao não têm a opção de fugir para outro Estado. Em Qin eles não seriam aceitos. Para o sul dificilmente iriam porque precisariam cruzar o rio. Para o leste, eu duvido que Yan os receberia e Qi também pode barrar a entrada deles. Sendo assim, segura que o filho é teu, Zhao. Trate de lutar uma guerra, alimentar e abrigar milhares de refugiados, conter o aumento da criminalidade e evitar revoltas.

Também preciso registrar que foi a nossa diva, sempre de boas no seu canto, quem matou a charada! Amo você, Kyoukai!

A “corrente” do Ousen tem um enorme potencial para gerar problemas políticos enormes. A coroa poderá ser pressionada. Esta, é claro, vai terceirizar a pressão para o Riboku e ele, o que faz? Isso está caminhando para uma guerra bem longa, e de resistência. A excursão do Ousen logo vai ter que acabar por não haver mais cidades para saquear. Qual será a próxima medida dele para garantir o pão nosso de cada dia para seus homens? Eu acho que ele ainda precisa aumentar muito seus recursos ou, de preferência, conseguir uma boa fonte de recursos, para, aí sim, equilibrar a balança com Zhao e eliminar a vantagem de tempo que eles possuem. Aí a guerra corpo a corpo começa. Por enquanto são só preparações, como bem disse o Ousen. Estou muito ansioso para ver o que vai rolar a seguir e espero que a Golden Week não tenha afetado o lançamento de Kingdom para termos capítulo novo este domingo. Oremos e até lá.

E, por fim, o momento mais foda do capítulo. É uma pena eu não ter falado sobre isso. Renderia uns dois parágrafos pelo menos, mas decidi não esticar mais o review.

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Publicado em Kingdom, Review por Ityuli. Marque Link Permanente.

Sobre Ityuli

Psicólogo, negro e cabeludo, mestrando em educação e saúde pela UNIFESP - Guarulhos. Me interesso pela sociedade e seu funcionamento. Por causa disso, estou sempre lendo os mangás com olhar crítico e enxergando nosso mundo atual nas histórias fantasiosas de mundos alternativos.