[Review] Kingdom – O mais sábio dos planos

Kingdom é um mangá tão incrível que até cidades possuem identidade! A de algumas é secreta. Mas o Ousen pretende dar a todas as cidades da região central de Zhao uma única identidade, a de cidades fantasma.

Antes de mais nada, o Ousen ganhou meu absoluto respeito e minha admiração no capítulo 512. Bolar uma estratégia capaz de rivalizar com o Riboku enquanto ocorre uma batalha logo atrás dele foi foda pra caramba. Não só pela capacidade estratégica, mas também pela confiança nos homens dele lutando uma batalha em desvantagem numérica correndo o risco de chamar atenção e ter que enfrentar a guarnição de Gyou. Foi espetacular este momento.

Isso sim é que é um homão da porra!

Bom, dito isso, voltemos às identidades das cidades. Na segunda metade do 512 eu não pude deixar de notar que o Ousen guardou absoluto segredo sobre a “verdadeira identidade de Gyou”. Não acho que ele tenha feito isso apenas para evitar escândalos e desmaios entre seus homens. Acredito que ele, em primeiro lugar, foi cuidadoso para não entregar informações para o inimigo, pois ele sabe que há infiltrados de Zhao no exército. Em segundo lugar, ele é a porra do comandante supremo e não precisa dar detalhes de nada, ou, como diria minha tia, “ele não tem que dar satisfações pra ninguém”.

O pouco que o Ousen disse já deveria ter sido suficiente para que os mais perspicazes do exército sacassem que eles NÃO estavam saindo de Retsubi indo diretamente para Gyou. Este era o plano do Shouheikun, mas o Ousen foi claro em dizer que de agora em diante a estratégia é por conta dele, somente dele. Então o mínimo que deveriam esperar era o inesperado. Um ataque a Gyou até que era plausível ainda, considerando o que o Kanki havia dito anteriormente, mas nós leitores já sabíamos que a cidade perfeita não cairá. Diante disso, o difícil é imaginar que raios de solução o Ousen pode ter encontrado.

Seu erro foi acreditar que o inimigo errou

Enquanto isso não se clarifica, ficam evidentes as vantagens do Ousen. Eu diria de Qin, mas talvez sejam vantagens só do Ousen mesmo. Se ele souber aproveitá-las, então serão de Qin. Aliás, acho que é só uma: a segurança do Riboku no sucesso de seu plano de cerco e na consequente falha do exército conjunto. O Riboku concluiu muito rapidamente que o Ousen cometeu um grave erro ao sair de Gyou. Isso significa que o nosso querido loiro vai ser pego de calças arriadas pelo plano do Ousen, seja qual for, e este fato dará a Qin um tempo extra. De fato, as chances estão todas a favor de Zhao, mas isso só torna tudo mais interessante.

Eu quero só ver o que dirão depois que o Ousen realizar o “impossível”

A reação das outras nações só aumenta a vantagem do Ousen. O que quer que ele faça será algo absolutamente inesperado. Eu quero ver como o “precoce” (Karin é a melhor) general estrategista de Wei vai se comportar depois de ver que o grande exército de Qin não foi aniquilado. Sei que a derrota de Zhao não será rápida, mas, pelo que entendi, enquanto esta batalha não se concluir, ninguém irá agir. Com esta conjuntura, qualquer resultado positivo para Qin poderá ter um efeito intimidador nos outros Estados, que estão paralisados e apenas assistindo. Do outro lado, do lado de Qin, cada vitória de Ousen, por menor que seja, servirá para elevar a moral dos soldados nas fronteiras e em qualquer parte do território de Qin. Por fim, quando Zhao finalmente cair, eu acho que até a Karin vai ficar com o cu na mão, apesar de todas as dificuldades que a manutenção das terras conquistadas trará para Qin.

O pessimismo quanto à situação de Qin se estende para o próprio exército conjunto. Será que isso vai se tornar mais um problema? A enorme irritação da Ten me fez pensar em insurreição ou simplesmente deserção. Lembra de quantos desertaram na campanha que terminou com a morte do Ouki? Fugiram antes mesmo de chegarem ao local da batalha porque temiam os Zhao. Imagine agora, marchando no coração de Zhao sem perspectiva de vitória. Talvez, porém, este seja o cenário apenas para os comandantes que compreendem minimamente a arte da guerra. A ralé pode, na verdade, estar muito contente com o que já realizaram até agora. Mas, lembrando do conselho que a Yotanwa deu para a Ten, os soldados comuns podem começar a se incomodar com a presente situação do exército ao notarem a inquietação e o pessimismo de seus comandantes. Acho que isso já é algo com o que o Ousen já deve se preocupar.

O momento pede fortemente por atitudes como essas

Este perigo é por enquanto pequeno e atitudes como a do Ouhon e a do Kanki talvez sejam suficientes para garantir a união do exército. Mas o Ousen também não ajuda. Enviar a Yotanwa com 50.000 segurar 90.000 é algo que gera questionamentos e possíveis revoltas. Eu mesmo não gostei nada disso. Se é para usar alguém de escudo, que use o Kanki e não a bela rainha das montanhas. E se ela morrer nessa batalha? E, um pouco mais sério, por que mandá-la sem a UHS? É só confiança na capacidade e na força dos povos da montanha ou ele tem planos que envolvem especificamente a UHS? Para mim, a maior razão para esta separação foi o enredo. O protagonista não poderia ficar parado longe da ação neste momento. Ele tem que ficar onde o Ousen estiver.

Gostei muito de finalmente conhecer os números, e me surpreendi ao saber que o KSR tem 90.000 soldados. Se considerarmos que este é apenas a soma das tropas da região central de Zhao, então os 200.000 de Qin já não são mais tão grande coisa. O Riboku, que se preparava para receber Qin no oeste, deve ter facilmente mais de 100.000. A estratégia de cerco indica que há ainda mais exércitos além deste que está sob comando do KSR. Podem ser pequenos, mas quando todos se somarem… estou achando que o número total poderá ultrapassar os 200.000.

Opa, esse caminho parece mais divertido

Com esta matemática nada agradável para Qin, é realmente um problemão que o Ousen diminua sua vantagem de tempo. Como eu sei que ele não é burro, acho que na verdade ele já está lutando para valer e aproveitando ao máximo a vantagem de tempo. Quando ele foi bolar a estratégia e mencionou as cidades no caminho para Gyou, eu pensei que ele escolheria uma para usar como substituta de Gyou e dela partir para Kantan, mas agora vejo que este não é o caso. Com isso chegamos a questão do ataque a Gota e dos próximos que virão, pois ficou claro que o Ousen agora vai ser um sitiador em série. Então, primeiro, por que tomar estas cidades? Segundo, por que ser tão gentil com os moradores?

O líder da excursão

Vou pular minhas especulações iniciais e ir direto para o que um membro (não lembro o nome) do grupo de Kingdom no face disse. O Ousen vai causar um problemão de milhares de sem-teto justamente na região central de Zhao. Com isso ele coloca em xeque os próprios suprimentos de Gyou (e talvez até da capital), fazendo com que Zhao compartilhe do mesmo problema que o exército de Qin. É claro que Zhao ainda tem mais possibilidades de rotas de abastecimento, mas o número de bocas a serem alimentadas só aumentará enquanto, ao mesmo tempo, terão de alimentar os exércitos que defendem a região e as rotas de abastecimento. Para mim, este parece que vai ser um belo golpe em Zhao, mas ainda não elimina os exércitos deles e, portanto, parece ser apenas algo que no máximo vai adiar a batalha. Não sei se no fim das contas isso vai ser muito vantajoso para Qin. Mas vejo um outro efeito e este é potencialmente benéfico. Os cidadãos poupados e bem tratados ficam gratos ao Ousen. Isso não levaria a um desejo de não combater Qin? Não poderia, no fim das contas, levar a dúvidas dentro do povo de Zhao e até mesmo dos exércitos quanto à necessidade de combater este homem tão bondoso que é o Ousen? No último, isso poderia dar ao Riboku a imagem de vilão, e nós já sabemos o que vai acontecer com ele, não é?

A galera é expulsa da cidade, com fome, e sai faland em como o Ousen é um homão da porra

Bem, eu vou parar por aqui porque já são quase 2h da manhã e estou louco para ler o capítulo 515. Enquanto você lê este review, a tradução certamente já está pronta e, com sorte, o Anderson já está fazendo a tipografia. O review do 515 deve sair sem atraso esta semana (oremos), então até lá.

Não costumo ver muita graça nas capas coloridas de Kingdom, mas esta eu achei muito bonita

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Publicado em Kingdom, Review por Ityuli. Marque Link Permanente.

Sobre Ityuli

Psicólogo, negro e cabeludo, mestrando em educação e saúde pela UNIFESP - Guarulhos. Me interesso pela sociedade e seu funcionamento. Por causa disso, estou sempre lendo os mangás com olhar crítico e enxergando nosso mundo atual nas histórias fantasiosas de mundos alternativos.