[Review] Kingdom – A espada das tribos da montanha

Capítulo incrível. Começou com uma super página inicial e terminou com uma página final sensacional. Empolgação pura do início ao fim. E, no meio disso tudo, uma trolagem do Hara, é claro.

Você olha aquela primeira página. Maravilhosa, incrível, te enche de expectativa… e, depois que você volta a respirar normalmente (lá pela segunda ou terceira vez que lê o capítulo), você nota: “mas, caralho, que muralha larga é essa!?” Eu contei pelo menos oito fileiras de soldados de Zhao ali. E o Bajio fazendo pose na frente de todos eles. Por baixo da máscara ele deveria estar rindo muito.

“É chegada a hora de demonstrar o poder da montanha”, disse o narrador. Então, obviamente, minhas expectativas de ver o Kanto borrando as calças foram lá pra cima (sqn). Mas beleza, vimos um pouco (novamente só um pouco) do grandioso poder das montanhas. E lá pela terceira leitura do capítulo e décima vez que você fica olhando aquele chute do Bajio, você pensa: “porra, se lançarem um jogo de luta de Kingdom o Bajio vai ser um personagem apelão demais”.

Esse chute deixou até o Liu Kang com inveja.

Foi bem legal também ver a galera de Qin surpresa e sem palavras diante do desempenho do povo da montanha. Foi como se aquele chute fosse na cara deles também. Eu mesmo não escapo disso. Posso escapar do pé do Bajio, mas não das lascas dos escudos que ele esmagou. Afinal, eu não dei a devida atenção ao que ele e a Yotanwa disseram no capítulo 505. A Yotanwa não é nenhuma estrategista. Ela e seu exército simplesmente extrapolam em força bruta. Pra mim, são um nível elevado, muito elevado aliás, do Moubu. Então, não tinha nenhuma razão especial para a escolha daquele ponto de entrada na muralha. Não era por causa do comandante inimigo — o qual, cabe dizer, sumiu depois do ataque sonoro. Ela só estava seguindo seu método: escala as muralhas, arrebenta todo mundo lá em cima, desce, abre o portão e chama toda a galera pra festa.

Não vou mais esquecer

Nesse caso, quem chegou para a festa foram os novatos da UHS que ainda não sabem beber. Os caras passam mal com uma latinha de cerveja e nessa festa só tem 51 pura. Mas eles aprenderão a beber, não é mesmo, Suugen? Apesar do Hara ter sido sacana e mudado tão rapidamente do pessoal da montanha para os novatos da UHS — o que entendo que era necessário para demonstrar como os montanheses são fodas —, eu gosto muito dessa atenção que ele vem dando aos novatos. Talvez o melhor seja dizer “nova geração” em vez de simplesmente novatos. Isso porque é óbvio que Jin, Tan e Kanto serão cada vez mais importantes para a unidade.

Alguém deixou um comentário na Project lembrando da primeira guerra do Shin e comparando ele com o Kanto. Segundo ele, a diferença entre os dois personagens é o que mostra o quanto o Shin é monstrão. Diante disso, eu acho necessário lembrar que a batalha nas planícies Dakan foi apenas a primeira guerra oficial do Shin. Ali ele partiu imprudentemente pra cima das linhas inimigas e abriu espaço pro seu go. Mas não vamos nos esquecer que antes disso ele já tinha lutado ao lado do povo da montanha para impedir a rebelião do Seikyou. Além disso, ele havia passado anos treinando com o Hyou e por isso tinha uma habilidade de luta que poucos soldados possuíam. E, mesmo com todo este treino, toda essa habilidade e a força fora do comum que o Hyou menciona, o Shin quase foi derrotado pelo Muta porque ficou com medo.

E isso numa luta 1×1.

Essa luta contra o Muta é a que eu realmente considero a primeira dele. Antes disso, contra os bandidos e depois contra o Shukyou (acho que era esse o nome), ele estava tão puto por causa da morte do Hyou que só atacava com tudo que tinha. Mas contra o Muta foi diferente. Ele já tinha se acalmado, se alimentado e descansado. Isso sem falar que ele já havia encontrado um outro propósito para sua vida. Nas lutas anteriores ao Muta era como se ele não tivesse nada a perder. Contra o sujeito da zarabatana, porém, as circunstâncias eram completamente outras. E, por fim, vale destacar mais uma vez que a ação dele na batalha de Dakan foi pura imprudência e ele mesmo concordou com a Kai depois que só sobreviveu porque deu a sorte e não encontrar ninguém mais forte do que ele, mas havia gente mais forte do que ele lá.

Parece que ele já aprendeu MUITO desde então.

Voltando à nova geração da UHS, eu, que costumo me identificar bastante com esses caras comuns, acho que teria feito o mesmo que o Rohei. Pense em como deve ser assustador manter seu go e ficar esperando o inimigo te atacar. A tensão deve aumentar muito mais quando você está tentando invadir uma cidade e encontra inimigos absolutamente preparados para te repelir. Se não é possível fugir, qual é a melhor forma de sobreviver? Matando todo mundo. Só que essa também é a pior atitude a se tomar, então a situação é realmente desesperadora.

Agora eles terão que aprender a lidar com a morte dos companheiros.

Os Bow Brothers poderiam correr para o portão e apoiar seus companheiros, não? Agora que a turma do Bajio já assegurou uma parte da muralha, os que ainda estão subindo praticamente não precisam mais de apoio. A tribo Chouka sozinha é mais do que suficiente. Eles, aliás, deveriam correr para apoiar outro grupo que luta para conseguir chegar ao topo da muralha. E os Bow Brothers, que conseguem tranquilamente atirar entre pessoas correndo, poderiam ficar à frente do portão, mantendo uma distância segura em todos os sentidos, e derrubar todos os inimigos que ameaçassem a juventude promissora da UHS. Espero que o Hara não deixe nossos meninos arqueiros esquecidos.

Parece um objeto com vontade própria.

Mas o que eu desejo não determina o curso do mangá e, pelo menos por enquanto, o protagonismo é do protagonista. Quando eu vi a alabarda na penúltima página, não reconheci. Pensei que fosse o Denyuu se levantando, afinal ele não é o tipo de cara que é derrotado por apenas um golpe. Contudo, ele ficou lá no chão mesmo e o Shin chegou heroicamente para finalizar o capítulo da forma mais incrível possível. A fala absolutamente tranquila do Suugen valorizou muito a cena. No momento anterior ele havia dito que aquela cavalaria poderia se tornar um problema, mas logo em seguida deixou tudo por conta do Shin que sequer tinha aparecido ainda. A confiança que o Suugen demonstrou foi como a de um religioso em seu deus. Se pensarmos nos feitos atuais, passados e futuros do Shin e nas histórias que contarão sobre ele após sua morte, podemos facilmente supor que ele será lembrado como um deus para os camponeses. Entretanto, por enquanto ele não passa de um mortal que mal aguenta sua alabarda. Vamos logo ver o que acontece no 509, que já saiu, e o próximo review deve sair sem demora, já que o capítulo não atrasou. Até lá então.

O verdadeiro monstro está do nosso lado.

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Publicado em Kingdom, Review por Ityuli. Marque Link Permanente.

Sobre Ityuli

Psicólogo, negro e cabeludo, mestrando em educação e saúde pela UNIFESP - Guarulhos. Me interesso pela sociedade e seu funcionamento. Por causa disso, estou sempre lendo os mangás com olhar crítico e enxergando nosso mundo atual nas histórias fantasiosas de mundos alternativos.