[Review] Black Clover – “Nada Especial”

Nosso protagonista decolando na velocidade de um cometa!

Em seu livro The Practice of Psychotherapy , Jung afirma que “o inconsciente não é somente maligno por natureza, é também a fonte do mais elevado bem: não somente escuro mas também iluminado, não somente bestial, semi-humano e demoníaco, mas super-humano, espiritual, e, no sentido clássico da palavra, divino.”  O inconsciente, a força interior, o poder adormecido, são recursos bastante comuns em narrativas de histórias heroicas. Seguindo a cartilha de um bom shonnen, Black Clover avança no desenvolvimento de nosso carismático protagonista.

O capítulo se inicia com nosso protagonista perdido em sua consciência. A priori, ele não sabe o que aconteceu, não sabe onde está e nem porque está lá. Seu primeiro pensamento é pensar que morreu (acho que eu pensaria o mesmo). Interessante ver as motivações que mantém Asta vivo: seu amor platônico pela freira que cuidou dele quando criança (sensacional esse desejo de querer casar com ela haha) e sua rivalidade por Yuno, seu irmão e rival.

O ser negro que habita em Asta (que a partir daqui chamarei carinhosamente de capiroto) finalmente entra em contato com seu hospedeiro, em um tom de hostilidade bem característico de seres poderosos que habitam corpos de protagonistas adolescentes (Kyuubi, tô olhando pra você).

O dito cujo capiroto

O capiroto tenta tomar o corpo de Asta na base da força bruta, e é rechaçado imediatamente pelo rapaz. A inocência do mago o impede de aceitar ser manipulado tão facilmente e isso é bom. Se não fosse assim, Tabata estaria quebrando toda a persona que construiu para Asta: um cara que levou o conceito de “determinado” ao extremo, não deixando nada nem ninguém atrapalhar seus sonhos.

Sou baixinho, mas sou invocado!

Numa sequência de quadros recheados com frases de impacto (característica marcante deste mangá, afinal), Asta assume o controle do capiroto na base da força bruta mesmo, e reafirma sua posição de “protagonista mais determinado da atualidade”.

Essa página dupla ficou maravilhosa. Tabata soube bem dar o tom sombrio e impactante que a cena merecia.

O agora meio mago, meio capiroto parte para o ataque sem piedade. Radros, o vilão bundão, não entende a nova transformação de seu inimigo a frente, que do nada passa a transbordar magia. Sim, magia. Tabata-sensei me surpreende novamente explicando que a anti-magia também vem de uma energia que é contrária à mana (energia utilizada pelos magos para usarem magias normais), servindo assim, como uma força oposta e natural.

A explicação da rainha das bruxas para o repentino poder de Asta é deveras interessante. Ela afirma que Asta (apesar de ser protagonista) não tem nada de especial em si, sendo apenas uma mera aberração da natureza que não consegue acumular mana em seu corpo. O poder que o garoto possui é fruto de um grande acaso.

Meio gente, meio capiroto

Essa é uma mensagem extremamente poderosa e tão útil nos dias atuais. As pessoas enxergam em si uma necessidade gigantesca de serem especiais, quando na verdade, o que as tornam especiais é o seu amor próprio. Viajei legal nessa afirmação? Talvez. Mas é meu modo de interpretar esse capítulo. E se não for pra me causar esse tipo de reação eu nem leio.

Na sequência, vemos o vilão bundão morrendo de medo do Asta-capiroto. Os ataques desferidos por Radros não tem mais efeito nenhum contra Asta, que o ataca sem dó nem piedade. Se Asta tivesse um mínimo de compaixão contra esse vilão, eu particularmente desistiria desse mangá. Tudo tem limite, até compaixão de herói.

No derradeiro fim, não poderia faltar a frase de efeito, afinal esse é o mangá dos clichés bem usados:

Juntos somos mais fortes 🙂

Destaque para a página dupla sensacional do fim derradeiro de Radros (assim espero, ninguém mais aguenta esse cara).

Já tivemos o meteoro da paixão e o meteoro de pégasus. Agora, temos também o meteoro negro!

Esse foi um capítulo bem bacana, com cara de capítulo 100. Me deixa apreensivo para como a trama irá se desenrolar a partir daqui. Agora que nós vimos que Asta é só um cara que por acaso possui tal poder, dá margem para Tabata mostrar mais um personagem que de fato será descendente direto do demônio. Outra coisa é entender qual a relação da rainha das bruxas com esse tal demônio (ou seu descendente), talvez num flashback que mostre a história do reino Clover. Asta precisa treinar mais sua anti-magia e aprender a controlar melhor seus poderes. Será se ele terá algum mestre, nesse quesito? Só o tempo dirá.

 

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