[Review Duplo] Black Clover – “Mudança Total” e “Novos Horizontes”

Dois capítulos que concluem de vez a peleja na floresta das bruxas! Como será o desfecho desse arco? Vem com a gente!

Falemos sobre o amor, esse sentimento tão controverso e tão utilizado nos mangás shonnens que lemos por aí, e nas obras de ficção em geral. O amor é o calor que aquece a alma, já dizia o poeta Rogério Flausino (google it). O amor é um sentimento engraçado; ele é capaz de nos deixar completamente inertes em algumas situações, ao passo que em outras, injeta uma carga de adrenalina que nos faz encarar quaisquer desafios, por maiores que sejam eles. E ao enfrentar tais desafios e vencer, nos sentimos triunfantes, vitoriosos e alegres. Tal alegria é experimentada, enfim, por Mars, que acabou de sair triunfante do maior desafio de sua vida: salvar seu amor.

Vitória! É com esse sentimento leve e descontraído que o capítulo se inicia. Asta e companhia comemoram o retorno da sanidade de Fana. A felicidade toma conta do ambiente, afinal, valorosos laços de amizade foram criados (Asta e Mars), reatados (Fanzle, Fana e Mars) e reforçados (Noelle, Finral e Asta). A expressão de gratidão estampada no rosto de Mars nos mostra o que provavelmente será o tom do personagem daqui pra frente – um homem grato, forte e focado em sua promessa, que finalmente pôde conhecer sobre o que se trata o amor de verdade.

Em meio a cenas de apresentações e diálogos carregados de sentimentos bons, uma cena em especial me salta os olhos – a cena em que Asta cumprimenta Mars, mostrando seu peitoral sarado (BIRL!). É impressão minha ou Tabata-sensei exagerou um pouco no whey protein em nosso protagonista? Tudo bem que ser sarado assim é uma das características que tornam o mago único, mas as vezes me parece completamente desproporcional. Em certos quadros, Asta aparenta ter um corpo normal e do nada, parece ser um frequentador assíduo de academia.

BIIIIIIIRRL!

Outro destaque dado no início do capítulo é do encerramento do arco dramático iniciado anteriormente, envolvendo professor e alunos. Após toda essa luta sangrenta, as lembranças de um tempo inocente e bom invadem a mente do professor e sua única ação é a mais sincera possível – um abraço apertado em seus alunos queridos. Particularmente achei um arco dramático bom. Tabata-sensei conseguiu expressar bem os sentimentos envolvidos em uma relação professor-aluno: respeito, afeto e carinho. Fui professor por muitos anos, e entendo perfeitamente os sentimentos escondidos por trás das palavras do ex-general direcionadas para Mars e Fana. No final, talvez o reencontro com seus amados pupilos (vivos, sãos e salvos) serviu para reforçar os motivos que levaram ele a ser um professor.

Amorzinho em forma de abraço

Após todo o sentimentalismo, um pouco de plot. Fana está sem memórias, e a única coisa que se lembra é de uma sombra a descartando e depois, sendo “resgatada” pelo mago da luz Licht, que acabou usando a garota para se manter vivo. Na cabeça da menina, ainda está gravada a ordem de “recuperar a gema mágica”. Isso é algo interessante para os rumos da história. Era de se esperar que mais gemas mágicas fossem aparecer eventualmente, porque afinal, reunir todas as gemas é um dos objetivos da Byakuya no Magan. Os magos de Diamond buscavam essa gema mágica, por isso invadiram a floresta das bruxas. Quando a ficha cai para Kruger, não há mais tempo. Um ataque surpresa pega todo o grupo desprevenido.

FUJAM PARA AS COLINAS!

Escancarando que Black Clover é um mangá de clichés, o general Radros retorna de seu túmulo provisório e volta para amedrontar os nossos heróis. Aparentemente, o vilão conseguiu absorver completamente a magia lançada pelos nossos heróis no capítulo anterior. É uma situação complicada pro grupo de mocinhos. Todos estão esgotados das batalhas anteriores. Enfrentar um vilão agora seria derrota na certa. Menos para nosso amado protagonista, que tem um condicionamento físico de dar inveja para qualquer atleta, ainda possuindo forças para bater de frente com o ex-aluno de Kruger.

A luta fica para o capítulo 95, com o capítulo começando diretamente num embate verbal entre vilão e herói. A argumentação principal de Radros é que ele e Asta são iguais – ambos nasceram sem talento mágico e por isso sofreram bastante quando crianças. Radros faz uma proposta indecorosa e diz que espera uma resposta de João Asta.

O capeta sempre vai atentar, né?

Prontamente, Asta recusa a oferta de Radros e parte para o famoso discurso moral, recurso narrativo tão utilizado por Tabata-sensei nessa obra. A forte determinação e caráter do nosso amado personagem principal impedem ele de aceitar ser apenas um capacho de um vilão que será esquecido daqui há alguns capítulos. A peleja avança com ambos os magos utilizando de suas vantagens para vencer o inimigo a frente.

 Quando parecia que a luta já estava vencida, Radros é pego de surpresa (novamente) por Asta. Radros entra em uma sequência de ataques ininterruptos, forçando Asta a ficar sempre na defensiva, enquanto destila todo seu ódio vilanesco sobre pessoas e amizade em geral. No meio dos ataques, o general de Diamond não percebe a investida de Asta e acaba com uma espada sugadora de magia fincada no peito.

No meio dos peito!

É um movimento deveras ousado de Asta. Muitos fatores poderiam ter contribuído para que esse ataque desse errado e a situação ficasse pior para os mocinhos. Acho que é a primeira vez que nosso protagonista lança sua espada contra um inimigo. Nos fóruns de discussão da vida, vi muitas pessoas reclamando sobre essa decisão de Tabata-sensei. O argumento das pessoas era de que esse seria o momento do mago protagonista liberar um novo poder, habilidade, movimento especial ou algo do tipo. Particularmente eu discordo dessa afirmação. Gostei da forma como foi executado o ataque de Asta, incluindo todo o contexto do ataque. Despertar um novo poder agora, seria apenas um deus ex machina gratuito e desperdiçado.

Outro ponto interessante também foi a forma como a habilidade da espada de Asta foi demonstrada. Quando em contato imediato com Radros, a espada suga de forma quase instantânea todo o poder mágico do mado de Diamond, a ponto de deixar o homem prostrado e com medo de Asta.

Foram capítulos bem superficiais. Ambos passaram bastante rápido (como quase todos os capítulos de Black Clover). Eles seguiram a fórmula básica (e de sucesso) do mangá: plot superficial, trama desenvolvida aos poucos, alívio cômico e resolução de problemas na base da porrada e discurso de moral. Essa é a maior essência do mangá, afinal. É esperar pra ver como a trama principal irá se desenrolar. Provavelmente Radros será pego como refém para o reino ou alguém da Byakuya no Magan vem resgatá-lo (ou mata-lo) de última hora. Ainda precisa ser explicado a reação da Rainha das bruxas em relação a toda essa confusão e a história da gema mágica que está na floresta. É esperar a próxima semana pra ver!

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