[Review] Black Clover – O mundo prometido

No meio da batalha, sentimentos se inflamam e batem de frente. A determinação de Mars conseguirá salvar Fana de seu tormento?

O fogo é um elemento imparável. O fogo tem a capacidade de destruir de forma desenfreada. O fogo queima, machuca, torna cinzas tudo o que toca. Devido a sua natureza, o fogo é visto como perigo. Mas é engraçado como o fogo tem duas faces; o fogo também pode ajudar. Ele ajudou afinal. Você como ser humano está lendo isso porque o fogo te ajudou a chegar aqui. O fogo é parte importantíssima na relação entre Mars e Fana. É o fogo do amor, da saudade e do respeito que os une. Mas é o fogo que os separa.

Na resenha passada eu havia destacado a importância de Asta como um dos pontos fortes de Black Clover, devido a seu temperamento forte e enorme determinação de ajudar. E nesse capítulo não foi diferente: nosso amado protagonista mostrou mais uma vez o porquê as pessoas confiam tanto nele. E não é pra menos: a força de vontade do garoto me arranca arrepios em cada frase de efeito que Tabata-sensei põe em sua obra.

A estocada inicial de Mars e Asta pra cima da Fana possuída marca o tom do capítulo: o desespero inicial em impedir que Fana se mate. O desespero estampado no rosto da menina é agonizante. O leitor consegue extrair todo o peso da situação apenas no olhar de Fana, que está perdida, confusa e cercada de inimigos. No quadro seguinte, Asta e Mars estão lado a lado enfrentando as chamas que saem do corpo enfurecido da Salamandra, provando as teorias dos fãs de que eventualmente tal cena aconteceria.

O grande problema desse capítulo em minha humilde opinião foram os diálogos expositivos demais que Tabata-sensei nos apresentou. Utilizar diálogos expositivos como recurso de roteiro é algo aceitável e comum na ficção em geral, mas é um recurso que eu considero pobre, principalmente em mangás e quadrinhos, mídias onde a arte do quadro pode servir muito bem como recurso expositivo.

A luta segue com Mars e Asta enfrentando as chamas da Salamandra com todo seu poder combinado. Ambos os personagens estão impressionados com o outro, a ponto de mudarem suas impressões iniciais. Mars percebe que Asta é o modelo ideal do que deveria ser um cavaleiro do Reino: alguém forte, determinado, de bom coração e que não mede esforços para salvar ou proteger as pessoas (características essas que tornam o Asta o protagonista desta bagaça, afinal).

Por outro lado, Asta vê em Mars toda a profundidade de uma pessoa que está com um objetivo travado na mente. O mago do reino Diamond nunca havia demonstrado sentimentos tão intensos na frente de nosso protagonista e a exposição dos verdadeiros e fortes sentimentos que Mars demonstra por Fana tocam o coração de Asta (talvez pelo garoto ser um pouco parecido com ele, afinal). O seu antigo rival não é mais a mesma pessoa e esse novo Mars é alguém que Asta se orgulha de lutar ao lado.

Outra sequência que mostra a força de Black Clover é a dos companheiros de Asta confiando no rapaz, mesmo diante de uma situação de morte certa (a Salamandra de fogo está em vias de autodestruição). A determinação inquebrável, bom humor, teimosia e força de Asta, desperta em todos ao seu redor uma confiança imensa, a ponto de tais pessoas arriscarem sua vida por esse sentimento. E a cena do olhar de Noelle, Finral e Vanessa embasam tudo isso que escrevi.

Gastando toda a sua energia para salvar sua crush amiga, Mars avança no meio das chamas em direção à Salamandra. E quando tudo parecia perdido, eis que nosso protagonista prova (mais uma vez) toda sua força, cortando a bola de fogo lançada por Fana com sua espada anti-magia! Eu adoro as páginas duplas de Black Clover. Tabata-sensei tem um bom feeling pra determinar quando uma cena merece um grande destaque e nesse ataque decisivo de Asta, não foi diferente.

Depois o capítulo se encaminha para um rumo que dividiu os fãs. Fana recobra seus sentidos e num impulso de ódio, lança mais um ataque para a dupla de magos que avança contra ela. A resposta de Mars? O maior ataque que uma pessoa pode dar em outra: um abraço. Daqueles calorosos. Daqueles bem apertados. Daqueles que acalentam e acalmam. Daqueles que chacoalham seu interior e te despertam sentimentos que você nem se lembrava que tinha.

O grito desesperado de Mars alcança a mente perturbada de Fana. A promessa do mago dos cristais ecoa pela mente da mulher. O amor emanado por ele dispersa o ódio implantado na maga do fogo. Uma promessa é feita e os laços são estabelecidos de novo, para nunca mais serem quebrados.

E aqui os fãs se divergem. Uma parte achou esse final do arco de Mars poético e lindo, mostrando que mesmo em um mangá como Black Clover (focado em ação, praticamente) nem toda trama precisa ser resolvida na porrada pura e simples, dando espaço para tramas mais pensadas e focadas nos sentimentos dos personagens. Outras partes dos fãs, talvez escaldados com o uso constante desse tipo de solução, torceram o nariz porque leem Black Clover justamente pela sua simplicidade no roteiro e resolução de conflitos a base da espadada.

Particularmente eu achei uma ótima solução, como já deixei claro ao longo do texto. Sou a favor de uma quebra de formato de vez em quando. Black Clover é um mangá sobre ação desefreada e batalhas carregadas de emoções fortes. Porque o amor não pode ser um sentimento de destaque? Batalhas não são vencidas apenas na base da luta.

Agora, resta saber como a batalha na floresta das bruxas irá se desenrolar. Fico me perguntando de a rainha deixará barato e irá engolir a mudança de Fana e Mars. Afinal, ambos assassinaram muitas pessoas ao longo da invasão à floresta. Outra coisa também que penso é pra onde o casal irá, agora que são traidores do reino Diamond? Será se o mago imperador irá aceitar ambos em seu reino? Após esse arco eu passei a gostar bastante de Mars e adoraria ver a interação dele com Asta e os outros cavaleiros negros. É esperar pra ver.

No fim, esse capítulo passou uma mensagem muito forte; só o amor supera o ódio.

“o amor é a única revolução verdadeira. a única revolução verdadeira é o amor”.

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