[Review] Berserk – JÖTUNN (Parte 1)

Miura muda o foco da trama: saímos de Elfheim e rumamos para Midland. Um poderoso inimigo se revela e Griffith começa a pôr ordem no caos que ele mesmo gerou.

O capítulo passado terminou com a singela despedida: “Até a próxima”! Nisso, a maioria concluiu que Berserk entrava em hiato a partir dali. Ledo engano! Para a nossa alegria, descobrimos que não. No entanto, Miura deu com uma mão e tirou com a outra! Apesar da felicidade geral de termos a continuação mensal do mangá, logo veio a tristeza geral, já que Miura mudou o foco da trama. Enquanto todos esperavam ver o desfecho do reencontro entre Caska e Guts, Miura transladou a trama para Midland. Essa mudança repentina na trama deve ter deixado muita gente furiosa, já que a maioria estava ansiosa para ver a continuação do “despertar” de Caska.

Nesse capítulo, Miura resolveu nos mostrar o que Griffith anda aprontando. Eu supunha que Griffith estivesse reinando pacificamente em Falconia. Ledo engano! Pelo visto, Griffith não esteve parado durante o tempo de sua ausência, mas esteve procurando livrar o reino de Midland das pragas místicas que ele trouxe juntamente com o seu sonho de poder e grandeza. Esse capítulo é um tanto irônico e emblemático, pois vemos Griffith destruindo o que ele próprio gerou. Não devemos esquecer que Griffith é o responsável por jogar o mundo nesse caos, já que ao fundir os mundos para dá realidade ao seu sonho, também deu realidade ao místico e ao fantástico, enchendo a Terra de criaturas bizarras e sanguinolentas.

Aos trancos e barrancos, os Gigantes marcham para o campo de batalha!

A humanidade tornou-se uma infeliz vítima dos efeitos do sonho de Griffith. Indefesa e fraca perante as terríveis hordas de trolls, Ogros, dragões e demais monstros sanguinários, a humanidade não passa de comida para saciar a sanha sanguinária dessas criaturas sinistras. O sonho de Griffith está apenas no começo, pois não basta apenas ter um palácio e uma capital, mas precisa de povo, pois um rei sem povo não é rei. Assim, Griffith precisa livrar o reino de Midland dessas monstruosidades mitológicas o mais breve possível, pois se não o fizer logo, toda a população será assassinada e devorada, e ele não terá para quem governar.

Além disso, Griffith sabe que não é suficiente apenas ter o apoio da princesa-herdeira, do pontífice e dos generais de Midland, mas sabe que necessita do apoio popular para reinar com plena legitimidade, já que não tem origem nobre, e isso significaria dizer que o seu direito de reinar poderia ser questionado. Sendo assim, Griffith precisa aparecer aos olhos de todos como o Grande Herói Nacional; como aquele que livrou e salvou o reino da perdição e da ruína. Nessas condições, Griffith teria o apoio incondicional da nação de forma inquestionável. Possivelmente, pode ser isso o que Griffith está buscando ao batalhar contra um terrível exército de Gigantes.

Griffith declara guerra ao inimigo que ele próprio criou!

Esse capítulo se abre com Griffith conduzindo o novo Bando do Falcão e o exército real de Midland contra uma terrível horda de Gigantes. O exército dos Gigantes é bastante primitivo e atrasado militarmente, pois estão armados apenas com paus, pedras e alguns pouquíssimos objetos de metal. As vestimentas e armaduras artesanais dos gigantes sugerem que eles invadiram e arrasaram cidades, casas, castelos e até portos. E os seus macabros estandartes de guerra, confeccionados de pele humana, carregando símbolos diferentes, sugerem que há divisões ou grupos entre os Gigantes. Mesmo equipados de forma rudimentar, os gigantes ainda são inimigos e adversários formidáveis, sobretudo para os humanos. Deve ser por isso que Griffith pôs os Apóstolos na linha de frente, pois eles são adversários páreos para os Gigantes. Apesar dos estandartes distintos, há um líder máximo entre os Gigantes, e isso mostra que há uma hierarquia entre eles.

Uma ótima forma dos Apóstolos saciarem sua sede de sangue sem precisarem assassinar humanos!

O líder máximo dos Gigantes se assemelha a um rei, pois aparece sentado em um cadeirão de ossos de dragão (trono) e ostenta sobre a cabeça uma caveira de dragão (coroa), e está rodeado de servos, entre os quais aparecem trolls escravizados. O mais pavoroso é que esse rei-Gigante segura um imenso sino (cálice) contendo sangue humano. Se essa apavorante criatura consegue organizar e comandar uma assombrosa horda de Gigantes, então deve ser poderoso e forte. Logo saberemos o quão formidável é esse rei-Gigante, pois Griffith cavalga em sua direção com o intuito de matá-lo.

O título desse capítulo é Jötunn, uma palavra de origem nórdica, cujo significado é “gigante”. Conforme a mitologia nórdica, os Gigantes foram criados a partir do corpo de Ymir, o gigante primordial. Segundo a lenda O Anel dos Nibelungos, inicialmente foram criados apenas dois gigantes: Fafner e Fasolt. O mito diz que os irmãos-gigantes Fafner e Fasolt construíram, a pedido de Wotan (Odin), Valhalla, a morada dos deuses nórdicos, e como pagamento receberam muito ouro e um anel amaldiçoado. Mais tarde, para proteger seu tesouro e impedir que Siegfried o roubasse, transformou-se em um terrível dragão, mas acabou sendo morto por este herói. Mencionei este mito nórdico para citar a referência que Miura faz ao gigante Fafner, já que o termo “jötunn” significa “raça dos gigantes” e o rei-Gigante está sentado em um cadeirão feito de “ossos de dragão” e usando como elmo um “crânio de dragão”.

Seu poder seria apenas força bruta ou ele tem um trunfo na manga, poderoso o suficiente para rivalizar com um deus?

É interessante notar que os Apóstolos Irvine, Raksa e Lock não aparecem nesse capítulo, da mesma forma o general Lavin e o capitão Owen. Me pergunto se Griffith os enviou para outra missão, talvez para combater e destruir outras hordas de criaturas místicas que representam uma ameaça para Falconia e Midland. Os únicos personagens conhecidos que apareceram nesse capítulo foram o jovem soldado Mule, a profetisa Sonia e os Apóstolos Zodd e Grunbeld.  Sonia desempenhou uma função fundamental nesse capítulo, pois além de ter salvo a vida do jovem Mule, ainda localizou para Griffith o líder dos Gigantes. Os seus poderes de previsão e adivinhação são formidáveis, e com ela ao seu lado, Griffith tem uma poderosa aliada, pois o poder de prever o futuro é algo poderosíssimo e determinante.

É uma pena que Sonia não tem o dom de ver o passado 🙂

Nas condições em que se acham, os Gigantes não são páreos para o novo Bando do Falcão, tanto que estão sendo massacrados pelos Apóstolos. Não tenho dúvidas de que Griffith poderia derrotar sozinho estes adversários, mas faz questão de levar os humanos e os Apóstolos juntos. Deve ser para dá confiança ao exército e para que eles sejam testemunhas de suas ações em prol de Midland e da humanidade. Assim, aos poucos Griffith vai fortalecendo e consolidando o mito do Salvador na mente e no imaginário de todos. Imagino que próximo capítulo veremos o confronto entre Femto e Jötunn.

Essa corrida continua no próximo capítulo 😉


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