[Review] Berserk – Sob as Árvores da Primavera

Finalmente o coração e a mente de Caska foram restaurados, mas não plenamente, pois as lembranças mais tristes e dolorosas ficaram latentes em sua alma estigmatizada.

O capítulo passado terminou com Caska se despertando do seu sinistro sonho, com a face imersa em uma expressão de quem acordou depois de um longo e profundo sono. Imagino que devido a isso, a maioria dos leitores de Berserk deve ter ficado se perguntando se a magia de Danann teria surtido o efeito esperado, isto é, se teria recuperado e restaurado a personalidade original de Caska, junto com todas as suas memórias. Como aguardado e desejado pela maioria, foi o que aconteceu, mas em parte. Inicialmente, Caska foi recuperada sem as memórias do Eclipse, e isso deve ter causado imensa estranheza e decepção da parte da maioria dos fãs. Mas o que veio depois disso foi bastante impactante.

Esse olhar e essa expressão são autênticos de Caska.

O capítulo começa com Caska desperta, admirando a atmosfera mística do Salão dos Sonhos de Elfhelm. Até aqui ainda não temos a certeza de que se trata da Caska original. Em seguida temos Schierke e Farnese despertas. Danann lhes dá as boas-vindas e as parabeniza pela longa e árdua jornada. As expressões “longa jornada” e “anos de dificuldades” sugerem que a missão de Schierke e Farnese no mundo dos sonhos durou muitíssimo tempo, talvez anos, enquanto que se passou apenas um dia em Elfhelm. Sabemos que o relógio do mundo dos sonhos é diferente do relógio do mundo real, mas não sabemos até que ponto isto pode ser verídico, já que a aparência física de Schierke, Caska e Farnese não foram alteradas. Talvez Danann tenha usado uma metáfora ou talvez o tempo do mundo dos sonhos apenas afete a mentalidade (ou o psíquico). Se for a segunda opção, então é provável que Schierke e Farnese estejam mais maduras mentalmente. Nesse sentido, poderíamos dizer que o tempo dos sonhos é um tempo mental (psíquico) e não físico.

A Caska dos velhos e bons tempos do Bando do Falcão.

Em seguida, na terceira página do capítulo, Miura nos dá a certeza de que aquela Caska ali presente é a Caska original. Esta certeza está no fato de que Caska diz que se lembra de todos os momentos que viveu sob o nome de Elaine. Para quem não se lembra, Elaine (ou Helen) foi o nome que Luka deu a Caska (nessa época, Caska já estava demente e sem memória). Ao mencionar o nome “Elaine” e ao agradecer a Schierke e Farnese por terem cuidado dela naquela época, Caska nos dá a certeza de que se lembra do que aconteceu enquanto estava insana e desmemoriada. É muito importante que Miura tenha esclarecido isso, pois fãs de todo o mundo se perguntavam se Caska, ao ser curada, conseguiria se lembrar também das coisas que aconteceram nesse período. Assim, Caska se lembra de Erika, Godo, Luka, Nina, Flora, Puck, Evarela, Isidro, Serpico, Azan, Roderick, Isma e da misteriosa criança de longos cabelos negros. Da mesma forma, também deve se lembrar dos sinistros eventos do mosteiro de Albion, do vilarejo de Enoch, da floresta de Flora e da viagem até Elfhelm. Até aqui ela não demonstra lembrar-se dos sinistros eventos do Eclipse.

Caska não se lembra de nada que aconteceu no Eclipse.

Dá para perceber que esta é a Caska verdadeira porque ela demonstra conhecer intimamente Schierke, Farnese e Evarela, já que as chama e as cumprimenta pelo nome. E também porque ela agradece as três por terem cuidado dela enquanto estava mentalmente debilitada. Isso prova que Caska não só recuperou sua memória, mas também recuperou sua consciência e sua sanidade mental. Também podemos dizer que Caska recuperou o seu espírito de guerreira e o seu instinto de cavaleira, pois Schierke visualizou a aura de combatente que a envolve. Assim não há dúvidas quanto a recuperação física e mental de Caska. Mais que isso, não há dúvidas quanto ao retorno da verdadeira Caska. Mas até aqui ainda não temos a certeza de que as macabras memórias do Sacrifício estão também manifestas na mente de Caska.

Os sentimentos de Caska por Guts não mudaram nada.

Schierke e Farnese demonstram dúvidas quanto a recuperação plena de Caska, por isso fazem-na algumas perguntas-teste. Ao fazer Schierke perguntar a Caska “do que tanto se lembra?”, Miura quer nos dá a saber se ela tem lembranças do Eclipse. Pela maneira que Caska responde, Miura nos dá a entender que as terríveis memórias do Eclipse ainda não se manifestaram na mente de Caska, mas permanecem encobertas de alguma forma. Percebam que há uma lacuna na memória de Caska, pois ela demonstra lembrar-se de todos os eventos pré e pós-Eclipse, isto é, consegue lembrar-se de tudo o que aconteceu antes e depois do Eclipse, mas não se lembra do que aconteceu durante o Eclipse. É interessante notar que a própria Caska admite ainda não se lembrar de tudo, pois sente sua mente sonolenta e embriagada. Imagino que isso era esperado que ocorresse, já que ela acabou de sair de um longo período de esquecimento; e mais que isso, ela acabou de sair de um árduo e poderoso ritual de magia. Assim é natural e normal que ela não conseguisse se recordar imediatamente de tudo.

É um belíssimo vestido! Alguns detalhes nele lembram Griffith!

Nesse momento, podemos ver que Schierke e Farnese se dão conta que Caska ainda não se recorda das abominações e dos horrores que fragmentaram sua alma. Coube a Farnese fazer a pergunta-teste determinante: “lembra-se de Guts?”. Ao ouvir o nome Guts, Caska fica bastante sensível e emocionada, e acaba chorando! Com essas lágrimas, talvez Miura nos queira dizer que o sentimento de Caska por Guts não mudou nada, mas continua igual ao que era antes do Eclipse. Além do inabalável sentimento antigo renovado e trazido à tona, essas lágrimas também podem significar que Caska sentiu muita saudade de Guts enquanto esteve insana. Tanto pode ser isso que Danann percebe e sugere que Caska fique bonita e elegante para o encontro com Guts, pois menciona que ele já está a caminho dali. Nessa parte é interessante notar que Danann possui uma sensibilidade altíssima e um formidável poder telepático, pois foi capaz de sentir facilmente os sentimentos de Caska em relação à Guts e ainda foi capaz de se comunicar instantaneamente com Guts à distância apenas com o pensamento. Isso é mais uma prova para fortalecer a crenças em Danann como um ser astral poderosíssimo.

As antigas lembranças (pré-Eclipse) retornam plenamente.

Avançando no capítulo, vemos Caska majestosamente se dirigindo ao encontro com Guts. É incrível a facilidade que Danann teve para transmutar aquele vestido velho de andarilha em um majestoso vestido. Isso demonstra e/ou sugere que Danann tem o fantástico poder de transmutar a matéria na forma que desejar. Imagino que não seja qualquer ser astral ou qualquer mago ou bruxa que seja capaz de tamanha capacidade mágica. Isso só demonstra cada vez mais a crença de que Danann é uma criatura poderosíssima e, talvez, seja até capaz de restaurar o olho e o braço de Guts. É interessante notar que Danann compara Caska com a filha de um “nobre elfo negro”. Isso quer dizer que existem outras raças de elfos e outras terras encantadas. Me pergunto se Miura ainda explorará outros cenários fantásticos com criaturas extraordinárias (suspeito que Rickert está indo para um desses lugares). Detalhes e curiosidades a parte, vamos ao tão esperado e desejado encontro.

As lembranças recentes (pós-Eclipse) retornam plenamente.

A medida que Caska caminha em direção ao tronco da grande cerejeira, as lembranças vão se manifestando intensamente em sua mente. Cada passo parece um filme passando em sua mente, mostrando a sua vida como mercenária no Bando do Falcão e depois como errante na longa jornada até Elfhelm. Todas essas recordações a faz sentir-se viva verdadeiramente; a faz sentir-se consigo mesma realmente. Sentir-se e reconhecer-se a si mesma deve ser muito importante para Caska, pois durante muito tempo ela não pôde sentir e pensar por si mesma, mas apenas observar passivamente a tudo e todos. Mas mesmo nesse estado passivo de letargia, algo sempre esteve ativo em sua alma: o desejo de ver Guts; o desejo de rever e reencontrar seu amado. Isso quer dizer que o sentimento de Caska por Guts sempre esteve presente em sua alma fragmentada e resistiu a decadência e demência de sua consciência. Miura afirma com todas as letras e com todas as imagens que a pessoa que Caska queria ver durante todo esse tempo era Guts.

Tinha tudo para ser um encontro romântico, mas berserk não é um romance!

Eu quero vê-lo”. Com esta frase simbólica, Miura abre a imagem do tão esperado reencontro entre Caska e Guts. Alguns diziam que Caska queria ver Griffith e outros diziam que ela queria ver a misteriosa criança de longo cabelo preto. Depois desse capítulo não há por que duvidar que a pessoa que Caska queria ver era Guts. Opiniões a parte, vamos aos fatos. Vemos um Guts sombrio e carrancudo surgir no limiar da floresta e aproximar-se lentamente do local de encontro. A impressão que se tem é que Guts está muito sério e insensível por demais. Imagino que a maioria dos leitores não esperavam por esta reação de Guts, mas imagino que a imensa maioria esperava por um Guts risonho. Suspeito que Guts está assim porque ainda não sabe que Caska foi curada, ou então deve estar em dúvidas quanto ao sucesso do ritual de Danann. Assim, Guts se aproxima sem alimentar muitas esperanças, talvez temendo o fracasso. Não dá para dizer com certeza, pois imagem de Guts aparece enegrecida e embaçada, mas é essa a impressão que se tem à primeira vista.

Difícil de dizer o que Guts está pensando e sentindo nesse momento.

Enquanto ambos se aproximam, Schierke e Farnese observam apartadas, esperando que dê tudo certo, apesar de que Farnese ainda demonstra uma pontinha de ciúmes. Por um ímpeto, Caska corre em direção a Guts e chama seu nome, mas o que sai é apenas o começo dele: “Gu…”. Caska aparenta estar feliz em rever e reencontrar Guts, tanto que corre em sua direção com o intuito de abraçá-lo, mas é detida pelo retorno repentino das sinistras memórias do Eclipse. Ao encarar Guts olho-no-olho, Caska parece se lembrar do Eclipse e do Sacrifício de Griffith. A imagem das inúmeras faces-behelit e do sol eclipsado sugerem fortemente que as terríveis memórias do Eclipse se manifestaram na mente de Caska, e a horrível imagem do corpo esfolado de Griffith sugere que Caska lembrou-se que foi sacrificada e estuprada por Griffith. Imagino que a volta repentina dessas terríveis lembranças abalou profundamente a alma recém-restaurada de Caska.

Nada mais justo e coerente do que Caska lembrar-se das abominações do Eclipse.

Guts foi o gatilho que desencadeou de uma só vez a rememoração plena de Caska. Sabemos que Guts estava com Caska no Eclipse, sabemos que Guts foi um membro do Bando do Falcão e sabemos que os companheiros de Bando de Caska foram assassinados brutalmente no Eclipse. Assim, já que a imagem e a lembrança de Guts está inseparavelmente ligada ao Eclipse, provavelmente a mente de Caska interligou e inter-relacionou automaticamente essas coisas. O lado positivo nisso é que Caska recuperou totalmente a sua memória, e o lado negativo é que esse doloroso e desesperado grito de Caska, ao recordar-se dos horrores do Sacrifício, pode significar uma possibilidade e um risco de a mente de Caska colapsar outra vez.

Se não fosse Miura um mangaka, seria um excelente anatomista ou médico legista 😉

O grito de dor e desespero de Caska conclui o capítulo. Aqui nos perguntamos se a trama do próximo capítulo continuará em Elfhelm ou será focada em Falconia (Griffith) ou nos Bakirakas (Rickert). Eu imagino que Miura continuará desenvolvendo o Arco da Ilha dos Elfos, pois este parece ainda está inacabado, já que precisamos saber e conhecer as reações de Guts e Caska, assim como também a decisão que Caska tomará. Façam suas apostas! Infelizmente, o capítulo terminou com o triste anúncio de que Berserk entrará em hiato. O mais doloroso nisso tudo é que não tem data certa para voltar, muito menos previsão. Esperamos que este seja um hiato de apenas quatro meses, no máximo. Até lá vamos discutir, opinar e teorizar sobre este incrível capítulo e sobre os próximos que virão. Até depois do hiato!

Sob um agonizante grito de horror, Berserk entra em hiato.


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