[Review] Berserk – Floresta de Corpos e de Agulhas

A jornada de Schierke e Farnese no Mundo dos Sonhos se aproxima do fim, pois elas se deparam com o último fragmento de memória de Caska.

Schierke e Farnese, guiadas por Danan, continuam sua sinistra jornada no inconsciente corrompido de Caska. O Caminho de Pétalas de Danan aponta na direção do tenebroso cume, indicando que é para lá que elas devem ir. No entanto, para chegar lá, elas precisam antes atravessar uma floresta de corpos e agulhas. Essa medonha floresta constituí uma imagem bizarra aos olhos de qualquer um, pois o solo dela é feito de entranhas, cadáveres e esqueletos humanos, coberto de sangue e vísceras. Todo o ambiente exala um horrível odor de carne humana apodrecida. Os terríveis pinheiros agulhas dessa floresta parecem um emaranhado de espadas e lanças a exibir cabeças humanas decepadas e pútridas; e sobre seus troncos sinuosos e seus galhos pontudos caem e escorrem sangue e vísceras. Esse lugar assustador se parece muito com a Dimensão onde ocorreu o Sacrifício do Bando do Falcão, pois lá também havia rostos e cabeças humanas. Provavelmente, este lugar apavorante deve ser a representação simbólica do subconsciente de Caska para a Dimensão do Eclipse, e todas aquelas vísceras e sangue deve ser a projeção inconsciente de Caska para a Carnificina dos Apóstolos.

A paisagem macabra pós-sacrifício!

A semelhança não é mera coincidência!

Além de assustador, o lugar é muito perigoso, tanto que Farnese quase foi espetada se não fosse o cão para alertá-la. Essa parte é um tanto curiosa, pois gera algumas questões interessantes: Caska usou a figura do cão para alertar Farnese porque tem afeição por ela, ou foi uma maneira de Caska expressar que vê Guts como alguém gentil e protetor? A primeira questão parece ser mais provável, pois sabemos que, ultimamente, Caska criou um laço de afeto e confiança com Farnese, já que ela, ao se juntar a Guts, passou a ser um tipo de babá para Caska. Já em relação a segunda questão, ainda há incerteza, pois Guts e Caska, ainda na época do Bando do Falcão, tinham uma relação instável e conflituosa; uma relação de amor e ódio, pois em alguns momentos eles brigavam e em outros se amavam. Apesar dos desentendimentos ente eles naquela época, sabemos que Caska amava Guts de verdade e tinha confiança e segurança nele, tanto que lhe entregou sua virgindade. A reação do cão em alertar Farnese do perigo pode significar que Caska, inconscientemente, ainda conserva as lembranças daquele Guts que arriscou a vida para protegê-la em vários momentos no campo de batalha. Quanto a isso, não há dúvidas de que o subconsciente de Caska preservou um sentimento positivo por Guts, tanto que o projetou na figura de um cão guardião, incumbido de guardar e proteger o último resíduo sã que sobrou de sua consciência.

Os Elementais de Schierke contra as aberrações do inconsciente de Caska!

Ao observar a terrível paisagem projetada pelo inconsciente de Caska, Schierke se pergunta por qual tipo de experiência ela passou para ter a mente despedaçada violentamente e preenchida por coisas horrendas e perigosas. Schierke apenas sabe que Caska foi vítima de um sacrifício demoníaco, mas não tem noção de como se deu o ritual de sacrifício, tampouco faz ideia das coisas medonhas e hediondas que aconteceram lá. Por isso ela se pergunta pela causa desse cenário assombroso e desolador. Muito em breve ela descobrirá a origem de todo o mal que despedaçou Caska internamente, pois está cada vez mais próxima do último fragmento de memória que contém as sinistras e macabras lembranças do Eclipse. Ela só precisa atravessar a floresta apodrecida e chegar até aquele cume. Essa será a parte mais difícil da jornada, pois os perigos e riscos aumentam gradualmente.

Os Elementais segurando as pontas para facilitar a fuga de nossa bruxinha e companhia!

No trajeto até aquele cume infernal, monstros de formas aberrantes emergem da escuridão da floresta pavorosa para dificultar e impedir a passagem e o avanço delas. Criaturas de corpos esquisitos, parecendo lagartas ou lesmas gigantes com cabeças em formas de pênis, surgem e se somam a outras aberrações para atacá-las. Mais e mais seres estranhos aparecem: lacraias e centopeias aterrorizantes, cães com cabeças de besouros, insetos alados com forma de escorpião, coisas gigantes cheias de tentáculos com bocas cheias de dentes enormes, corpos imensos com braços e cabeças em forma de pênis. Enfim, o cenário se transforma em um pandemônio. Schierke revida e enfrenta-os com a magia dos Elementais, invocando os espíritos da terra (golens, decomposição), da água (ondinas) e do fogo (roda-de-fogo). Enquanto os Golens, a Ondina e o Espírito da Decomposição derrotam os monstros e repelem seus ataques, ganhando tempo para o grupo, o Círculo-de-fogo abre caminho para a fuga de Schierke e companhia.

Essas coisas parecem que nasceram de um cruzamento entre o Conde e o bebê demônio!

O Apóstolo Conde!

O bebê demônio!

O interessante de se notar é que a maioria dos monstros que aparecem nessa parte fazem referência ao órgão sexual masculino. Não há dúvidas de que isso pode ser uma clara e direta referência ao estupro que Caska sofreu durante o Eclipse. Isso pode querer dizer também que o estupro foi um dos fatores determinantes (talvez o maior!) que contribuiu para a insanidade dela. Aos poucos Miura vai confirmando aquilo que a maioria dos leitores de Berserk suspeita. É interessante notar também que aquelas lagartas/lesmas monstruosas se parecem com uma versão misturada entre o Apóstolo Conde e o bebê demônio. A referência ao Conde deve ser só coincidência, mas não é em relação ao bebê demônio, que era o filhinho de Caska e Guts que nasceu morto por causa do estupro. Aqueles homens-pênis devem ser uma referência a Adon Boscowich, general dos Cavaleiros da Baleia Azul. Adon foi aquele que liderou 100 homens em uma caçada a Guts e Caska durante uma batalha entre Midland e Chudan. Adon tinha planos de estuprar Caska antes de matá-la, pois acreditava que uma mulher cavaleira era uma desonra para os cavaleiros e uma profanação para o campo de batalha, e achava que a única razão para Caska ser cavaleira era porque ela era a prostituta particular de Griffith. A impressão que fica é que as ofensas de Adon abalaram Caska profundamente.

Caska e Adon no campo de batalha! Ela estava menstruada nesse momento ai!

A bocarra desse monstro pervertido parece com o formato do elmo da armadura do Adon!

Esse capítulo também reservou um espaço para mostrar a evolução de Farnese como usuária de magia. Farnese conseguiu projetar e concretizar dentro do inconsciente caótico de Caska uma imagem de Mozgus que trouxe dos seus sonhos. Mas, além disso, ela conseguiu conceber uma cabeça gigante de um Mozgus com uma bocarra munida de trituradores e ganchos, e o fez capturar e moer os “homens-pênis”.


A magia fica mais poderosa nos sonhos, pois os Elementais invocados por Schierke parecem mais potentes no mundo dos sonhos do que no mundo real. É provável que isso se deva ao fato de o mundo dos sonhos ter uma ligação maior e mais intensa com os mundos espiritual e astral do que com o mundo real. Nesse quesito, parece que Farnese está começando a sentir e assimilar essa ligação de maneira a usá-la, controlá-la e moldá-la a sua vontade. Se ela continuar evoluindo assim na magia, em breve se tornará uma poderosa bruxa.


A medida que Schierke e Farnese se aproximam do que parece ser o último fragmento de memória de Caska, o subconsciente dela se torna mais hostil e ofensivo, como que quisesse impedi-las de restaurar sua mente. Mas se toda esta pavorosa floresta e todos estes monstros aberrantes são produtos do inconsciente de Caska, por que a atacariam? É como se aquela pequena personalidade que representa Caska não tivesse controle de nada ali, ou então não quisesse ter o controle de nada ali! Isso nos leva a perguntar se esta é uma ação inconsciente de Caska devido ao trauma do Eclipse (e do estupro!), como se temesse rever ou passar por tudo aquilo novamente, ou se é um efeito do Estigma a operar de maneira a impedir a cura da mente dela? Também nos perguntamos se essas estranhas criaturas personificam a monstruosidade dos Apóstolos ou a perversidade de Femto!

A cura de Caska está tão perto, mas ao mesmo tempo tão distante!

Finalmente, depois de uma árdua e arriscada subida, Schierke e Farnese chegam ao cume da montanha trevosa e se deparam com aquilo que parece ser a última memória perdida de Caska. Elas se deparam com um cenário tão hostil e sinistro quanto os anteriores, talvez até mais que todos os anteriores, pois o último fragmento não parece estar ao alcance fácil e rápido, já que se encontra envolto em um emaranhado intransitável de raízes sinuosas, cobertas por espinhos largos e afiados. Pela aparência hostil e ofensiva do envoltório, podemos imaginar certamente que se trata das Memórias do Eclipse. Para Schierke e companhia atravessarem esse emaranhado espinhento e chegarem próximo àquele estranho casulo, terão que usar a magia dos Elementais. Poderiam usar o Espírito da Putrefação para decompor as raízes e abrir caminho, ou então usar a Roda-de-fogo para queimar e depois invocar o Espírito da Água para apagar o incêndio e depois abrir passagem até o cume usando o trabalho braçal dos Golens. Mas, o problema é que Schierke está sem feitiços e Farnese ainda é muito inexperiente na magia, então só nos resta interceder por Danan. Talvez Danan se manifeste ali para abrir caminho para elas. Mas parece que ainda restam alguns golens na bolsa de Schierke que ela pode usar para abrir caminho entre os espinhos. Mas, talvez, Schierke possa “sonhar” de novo seus feitiços e trazê-los de volta, afinal estamos no Mundo dos Sonhos. Caso atinjam o cume e liberem o fragmento, elas se depararão com imagens terríveis e macabras; cenas de um evento desesperador e assustador, e sentirão a agonia, o terror e o sofrimento que Caska sentiu ao ver-se dentro de uma dimensão demoníaca sendo oferecida como banquete para um bando de monstros celebrar o nascimento do Quinto Demônio do Desejo (Femto). Provavelmente, todos devem estar curiosos para ver a reação de Schierke e Farnese ao se depararem com o pandemônio do Eclipse. Esperamos também que não haja mais nenhuma surpresa indesejada que venha atrapalhar ou atrasar a cura de nossa capitã Caska. Infelizmente, o mangá entrará em mais um hiato e só voltará no inverno japonês (21 de dezembro).

Morfando mais uma vez…hahaha

kkkkkkkkkkkkk

O choro é livre…hahaha

 

 

 

 

 

 

 


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