[Review] Kingdom – Campo de batalha – Ryouyou

O poder feminino atingiu níveis astronômicos! A Yotanwa é um mulherão da porra em todos os sentidos e o máximo que os machos podem fazer é desejá-la a distância. Será que o Heki vai ter alguma chance?

Enquanto o hype em torno do Shunsuiju é feito pelo mistério construído em torno desse personagem, do da Yotanwa é tão claro e evidente que nem parece hype. É só ver como ela consegue, ao mesmo tempo, ser amável e temível. Isso sem fazer pose ou dizer frases de impacto. Lembre, por exemplo, do cerco a Retsubi. Ela foi tão simplória ao explicar o plano de ataque que poderia ser confundida com uma imbecil qualquer, mas é com essa simplicidade que ela faz as coisas acontecerem, o que mostra o tamanho de seu poder.

Deve ter história com os Xiongnu. Talvez o Hara faça algumas ligações com o one-shot que conta um pouco da história do Riboku.

Essa simplicidade dela também é um dos motivos que fazem todos, ou quase todos, a subestimarem. E o Hara vem lembrando faz tempo do mais simples: ela comanda “milhares e dezenas de milhares” e unificou várias tribos guerreiras. Acho que precisamos ter isso sempre em mente para percebermos que tudo o que tem rolado em torno da Yotanwa e do seu exército até agora não é hype. Simplesmente é como eles são: fortes pra cacete.

Eu não canso de me impressionar com a galera da montanha batalhando seminua. Parece loucura total. Quando vejo alguém com um escudo já respiro um tanto aliviado. Mas esta é somente mais uma demonstração da força imensa deles, e também do seu estilo de luta. O capítulo 518, aliás, veio para dar mais algumas demonstrações da força dessas tribos. A diferença entre eles e o exército de Zhao é tão grande que chega a ser cômica. A narração ajudou bastante nesse sentido, mas o ponto máximo foi os soldados de Zhao gritando “para!” quando a luta mal tinha começado.

Pede água! haha

Nesse ataque também aparece a simplicidade da rainha. Primeiro que em momento algum ela se mostrou abalada pela diferença numérica. Nem mesmo quando recebeu a notícia de que o exército do KSR pode receber mais reforços. Nessa hora, o que ficou abalado foi o coração do mensageiro (e o meu também, se já não estivesse).

Ai meu coração!

Logo em seguida ela ordena o ataque, com uma estratégia que me parece muito simples e direta. Básica, eu diria. Faz uma finta e depois o ataque principal. Não tem nenhum grande segredo nisso. É pura força bruta. Acho que o Moubu ficaria com inveja disso, porque o exército da montanha é todo força bruta, não apenas sua comandante.

Repara na tranquilidade e na simplicidade da Yotanwa versus o estado de choque do mensageiro.

Além da brutalidade, este exército é pura objetividade também. O modo de agir da Yotanwa é simplesmente o de subjugar seus inimigos de frente com uma força esmagadora. Pra isso, ela não faz rodeios, não faz planos detalhados e cabulosos, apenas vai com tudo. Um detalhe importante que mostra essa objetividade é que no manai nós vemos o Bajio e o Tajifu. O Bajio também participou da conquista de Retsubi. Estes são uns dos melhores guerreiros da Yotanwa e ela não fica poupando eles para mais tarde. O negócio é mandar eles logo no começo e pintar o chão de vermelho. Ponto.

Agora, para quem se surpreendeu com o fato da Yotanwa atacar antes do Heki chegar, só digo que isso não é surpresa alguma. Como eu disse no review passado, não tem como o exército do Heki servir como um verdadeiro reforço para o exército da Yotanwa porque ele não está no mesmo nível de força. No máximo ele pode ter utilidade estratégica, mas já vimos que esse não é bem o estilo da Yotanwa. Talvez ela apenas o deixe livre e ele acabe encontrando um jeito de ser útil. Por enquanto, porém, sua serventia é somente a mesma do entregador de pizza. E isso está claro.

Se vai trazer comida então será de ajuda, mas para lutar não preciso esperar por ele.

Por outro lado, enquanto o Heki não é muito útil no campo de batalha, ele pode ter outras utilidades, se é que você me entende. Imagine: os líderes tribais lutando e ele lá ao lado da rainha, servindo de conselheiro… Pena que se algum líder tribal ficar com ciúmes, o Heki não vai sobreviver. Mesmo assim, quero muito ver uma batalha (que não precisa ser no sentido literal) pelo coração da “Tanwa”. Se bem que o rei dos Feego não parece muito interessado em coração. Ele quer pernas abertas e o que se encontra entre elas.

Só de pensar nisso já fico preocupado. É perigoso demais. Ou não. Esse rei deu a entender que todos os líderes tribais têm a Yotanwa como protagonista dos seus pensamentos mais… Bom, e o Bajio? Eu queria muito ver o rosto dele por baixo daquela máscara para poder conhecer suas expressões e daí tirar alguma ideia sobre seus sentimentos e pensamentos. Será que ele também quer uma noite com a deusa da morte?

Tira a máscara só um pouquinho, vai.

Esse panorama da competição que o Heki vai encontrar me fez acreditar que a possibilidade de romance entre ele e a Yotanwa aumentou. Se nenhum homem da montanha conseguiu nada ainda (até onde sabemos), talvez alguém da planície tenha mais chances. Independentemente disso, o que este capítulo realmente mostrou é que a mulher Yotanwa possui um poder imenso, capaz de garantir o respeito de todos os homens de uma forma tão clara e absoluta que eles nem chegam a tentar nada. Todos já sabem que é impossível desrespeitá-la e continuar vivo.

Antes de finalizar, quero chamar sua atenção para o pássaro do rei dos Feego. Na última página, no quadrinho acima, o que significa este movimento? Será que ele é capaz de comunicar para o seu dono os movimentos do inimigo ou ele apenas estava se deleitando com a carnificina? Pela fala do rei dos Feego acho que é a segunda opção, mas gostaria que fosse a primeira. O triste é que vamos passar um bom tempo sem ver a deusa da morte. O Hara ter deixado a batalha dela para depois da batalha Ousen Vs Riboku é só mais uma demonstração da grandeza dessa mulher.

E por falar em grandeza feminina, encerro com mais alguns comentários sobre a posição das mulheres em Kingdom. Isso sempre me causou admiração. Um mangá que tinha tudo para ser extremamente machista, não é nem um pouco. Todas as mulheres que tiveram alguma participação mais longa no mangá desempenharam funções importantes. Mesmo a You e a Kou, que são as menos notáveis, elas também tiveram um papel muito significativo em algum momento da história. A You mais como um suporte para a Kou, mas a Kou ajudou o Sei a descobrir os planos da rainha-mãe. Essas duas só não têm chances de se destacar mais, de forma autônoma como Yotanwa, Karin, Kyou, Karyo Ten e Kyoukai porque são concubinas do rei. Quanto às outras, ocupam posições de liderança em seus respectivos exércitos e continuam sendo femininas. Não há em Kingdom uma masculinização (o Word diz que essa palavra não existe, mas que seja) da mulher guerreira como vemos em outros mangás. Não há também uma fragilização da personagem, mesmo quando guerreira de destaque, decorrente de características consideradas próprias do sexo feminino. E nas séries onde não encontramos nem masculinização nem fragilização, temos erotização, mas isso também está de fora em Kingdom. E digo mais ainda: Ten e Kai só cresceram depois que deixaram de se fingir de homem ou de ser confundida com homem. Por isso eu fecho este review com elas duas nessa bela e muito representativa capa do capítulo 382. Até a próxima.

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Publicado em Kingdom, Review por Ityuli. Marque Link Permanente.

Sobre Ityuli

Psicólogo, negro e cabeludo, mestrando em educação e saúde pela UNIFESP - Guarulhos. Me interesso pela sociedade e seu funcionamento. Por causa disso, estou sempre lendo os mangás com olhar crítico e enxergando nosso mundo atual nas histórias fantasiosas de mundos alternativos.